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domingo, 22 de janeiro de 2017

RELATO DO MEU PARTO VBAC- PARTE 2



Este é o meu testemunho. Um testemunho cristão sobre a dor do parto.
A intenção deste testemunho é a edificação de outras gestantes e não a glorificação da via de parto. Meu parto não é um troféu para ser exibido, é apenas a via pela qual Deus usou para me ajudar a glorificar a Ele com meu corpo e minha vida, para me ensinar a confiar e me entregar totalmente nas mãos Dele. Na parte 1 , eu falei um pouco sobre como isto aconteceu comigo, a partir de minha compreensão de como seria a DOR do Parto, veja a  PARTE 1 AQUI...

O DIA DO PARTO: Porventura faço chegar a hora do parto e não faço a criança nascer?” Assim diz o SENHOR. “Ora, sou Eu quem provê as dores de parto; como poderia Eu querer fechar a madre ao nascimento dos filhos? Sou eu, Yahweh, teu Deus, quem te fala!”

Então, no dia 12 de dezembro as 8hrs eu acordei com meu peito jorrando leite do lado direito. A ocitocina estava tomando conta e eu senti claramente que meu filho estava chegando. “É hoje” eu pensei.  E tudo parecia certo, mas faltava uma coisa. Eu queria que meu esposo orasse pelo parto. 
Como ele queria fazer a cesárea, a forma que "o convenci" a aceitar o parto normal foi marcarmos para dia 13 de dezembro a cesárea.  E se o bebê viesse antes, assim seria. No entanto, eu queria muito que ele , como autoridade escolhida por Deus, para nos guiar e cuidar, abençoasse o parto. Assim, fui até o quarto, e o acordei umas 8:30 da manhã e falei para ele que o bebê iria nascer neste dia e pedi que ele orasse e entregasse o parto para Deus. Ele colocou a mão na minha barriga e orou. Vinte minutos depois eu senti a primeira contração. Foi uma cólica de uns 30 segundos.  Eu me emocionei. Meu bebê estava chegando.

Umas 9h30 da manhã senti outra contração  e fui na varanda e gravei um videozinho e postei no instagram e chamei de dancinha do nascimento. Se for comparar a dor, esta dor que eu sentia era como uma cólica menstrual forte, e eu tive muitas durante minha vida, por ter ovários micropolicísticos sempre tive ciclos irregulares com muita dor, então até o momento parecia apenas as dores normais.
Aí senti uma dor um pouco mais forte, e meu corpo se contraiu. Senti um frio na barriga, ia começar a sentir medo quando me repreendi e falei para mim mesma para respirar, pois Deus estava guiando o parto. Fechei os olhos e lembrei do vídeo que vi de flores desabrochando. Para relaxar, fui para o chuveiro e fiquei lá, só para relaxar mesmo e a cada meia hora sentia uma contração, e umas 10h30 a Doula Mariana chegou. Eu e ela ficamos ali conversando, saí do banho, fomos para a bola...eu amei a bola, foi o que mais me ajudou a relaxar e respirar durante todo o trabalho de parto.
Minha mãe e esposo estavam pela casa fazendo seus afazeres e meu filho brincando. Tudo estava normal. Eu e a Mariana, com tranquilidade continuamos observando e respirando juntas e aguardando. Por alguns momentos saímos no quintal, eu não quis andar muito, apenas queria ficar na bola, mas demos uma voltinha e falamos sobre as gralhas azuis que roubam as frutas do meu quintal e os sagüis que chegam em bandos. Contei também a história da minha parreira que só deu uva duas vezes, uma quando Sam nasceu e agora este ano. Como era ruim caminhar, eu voltei para a bola.
Como eu parava de falar e respirava fundo, Mariana ficou marcando as contrações que ainda pareciam sem ritmo mas eram dolorosas. Eu respirava e lembrava que meu corpo estava se abrindo. Mariana dizia que cada dor é válida e importante para o parto, e nós conversávamos que era “cada contração era uma contração a menos”. Ainda na bola eu resolvi fazer um meme para o pessoal de um grupo de homeschooling para orarem pelo meu parto rsrsr ela riu. Depois pedi que meu esposo tirasse foto de nos duas juntas, e no intervalo das contrações eu editei e postei no instagram rsrs lembro que falei “Calma Lucas, deixa a mamãe postar a foto no insta” e Mariana riu.

Depois, finalmente fomos almoçar, era 12:12, eu lembro pois olhei no relógio e brinquei que era dia 12 de 12 e ele podia nascer as 12:12 , e comi e repeti o prato , e parava para respirar pois as contrações estavam mais fortes. Só que não abri mão de comer pois todo mundo fala que depois que vai para o hospital não pode comer nada. Ainda durante o almoço, vi que o semblante de Mariana ficou diferente, ela parecia mais preocupada pois as contrações estavam mais ritmadas e ela falou que podíamos avisar o médico. Eu mandei whatsapp para ele ali mesmo, avisando que estávamos indo para o hospital.
Eu levantei da mesa mas veio uma contração mais forte, me abaixei segurando na mesa e esta durou mais de um minuto. Eu e Mariana nos olhamos, meu esposo parecia tenso, a vizinha que viria ficar com Sam estava doente, e minha mão não ia poder ir mais. E eu observava tudo e estava calma, eu sabia que não haveriam imprevistos neste dia, pois orei muito por este dia e tudo o que acontecesse , seria por vontade de Deus.

Então fomos para o carro, Mariana ajudou a me acomodar com travesseiros a mais, e levei o celular para eu mesma continuar anotando o ritmo. O trajeto levou uns 30 ou 40 minutos, e perto da maternidade entrei em trabalho de parto ativo. As contrações ficaram de 2 em 2 minutos, eu respirei fundo e falei com calma para o esposo que estava dirigindo “acho que entrei em trabalho ativo”. Ele ficou mais tenso. Aguardei o próximo intervalo para enviar para o médico o relatório do aplicativo que dizia quantas contrações eu estava e qual a duração. Eu já ficava só de olhos fechados e abria só nos intervalos.

Quando chegamos na maternidade, as 14:09,  eu levantei e saí do carro e entrei sozinha, enquanto meu esposo estacionava. Na porta uma contração, vi que o intervalo entre elas  parecia segundos. Cheguei na recepção com meus documentos e entreguei e falei PUPIN e fui me apoiar no sofá e respirar. Quando abri os olhos o médico segurava uma mão minha e a outra mão a Mariana segurava.
Fomos no consultório e ele fez um exame de toque. Eu estava com 7cm. Após o exame comecei a sentir dores fortíssimas. A dor acrescentada. Era ela. E eu olhei meu esposo. O homem que eu amo, e que me cuida , com seu olhar preocupado. Eu senti medo . Como Pedro caminhando no mar, eu estava afundando. Eu , sozinha, por eu mesma, não suportaria. Olhei para meu esposo e pedi anestesia. (Depois achei interessante que não pedi cesárea rs, nem passava pela minha cabeça a cirurgia). Meu esposo saiu atrás de informação para anestesia, e estava preocupado pois havia esquecido em casa a mala da maternidade. Ele estava tão nervoso, e a presença dele me fazia querer colo, e no momento eu não precisava de colo, eu precisava era me entregar totalmente nos braços de Deus.
Após o exame de toque, o médico estimou umas 2 ou 3hrs no máximo para o parto , e meu marido resolveu ir em casa buscar a mala da maternidade. Eu falei “se você for, você vai perder o parto”, mas ele estava muito nervoso e penso que tudo aconteceu como deveria realmente ser, não sei se ele suportaria me ver passar pela dor . Em muitos textos as mulheres chamam isto de “a hora da covardia”, mas eu sinceramente discordo. Se eu estivesse me achando corajosa, até poderia ser, mas este momento é o momento , em que duvidamos que vamos conseguir, é o momento em que a dor é grandemente aumentada pela justiça de Deus. No entanto, com ELE, conseguimos passar por este momento e alcançar a vitória da vida sobre a morte.

Após o exame, saí do consultório para a sala do parto em uma cadeira de rodas. Mariana solicitou a sala com banheira, e ao chegarmos na sala ela foi coordenando tudo. Foi minha voz e minhas pernas, meus braços e meus olhos. A presença dela foi fundamental. Pediu que enchessem a banheira, e me levou ao chuveiro. Quando cheguei no chuveiro senti vontade de subir de cócoras na cadeira que estava lá, mas era de plástico e não era própria e tive medo de cair, mas ao levantar uma perna ouvi um barulho como um estouro de um jato e Mariana falou “saiu o tampão”. Saiu inteiro em um jato de água. Abri um olho para ver e voltei a fechar. Eu só respirava e me concentrava.
Eu não lembro como eu falei, mas eu disse que não conseguia ficar em pé, e ela me levou para a banheira. Assim que entrei fiquei deitada de lado. Queria entrar toda na água e mergulhar,foi ótimo virar de lado e tirar a pressão da cabeça do bebê do cóccix (eu tinha visto um vídeo no youtube sobre isto, e na hora que virei de lado lembrei do vídeo rs).

Esta fase não lembro o tempo que passou, mas Mariana me falou que ficamos uns 20 minutos só nós duas. Meu corpo tremia todo , eu sentia a cabeça do bebê descendo pelo canal e os ossos do meu corpo tremendo. Eu senti como se eu estivesse sendo partida ao meio. Eu clamei misericórdia a Deus e a Jesus para me ajudarem a suportar a dor. Eu senti como se meu corpo estivesse sendo partido ao meio. A cada contração eu sentia que meu corpo se empurrava para baixo sozinho, e eu que estava vocalizando e respirando até antes deste momento, agora comecei a fazer instintivamente um som mais gutural , o de abertura de esfíncteres .

A respiração e a vocalização foram fundamentais para me concentrar e não atrapalhar meu corpo a trabalhar.  Somente em um momento eu lembro de ter perdido o ritmo da respiração, e em pensamento falei “Jesus, eu não lembro mais como respira” e ouvi a voz do médico falando “Respira com calma”, e voltei a me concentrar.
É incrível como passa tanta coisa em nossa mente entre uma dor e outra. Pensei

O médico perguntou se eu estava confortável na posição que eu estava, e falei que sim. Perguntou se eu podia ir na maca para ele analisar, eu respirei e falei “na próxima”, mas que nada, a próxima contração veio bem longa e eu respirei e fiz força vocalizando, e a cabeça do bebê já era visível, e de uma vez saiu. Na próxima contração ele me ajudou a retirar o ombro e o bebê saiu inteiro. Ele o segurou e me entregou, avisando que o cordão era curto. Meu corpo todo tremia, eu senti temor de segurar e deixar o bebê cair .
Eu sentei e o segurei por alguns minutos.  Depois, o médico falou para eu mesma cortar o cordão, e eu pude cortar, nem acreditei, sempre achei algo muito simbólico e maravilhoso fazer isto, e foi um privilégio poder fazer isto eu mesma. Era algo que eu sempre desejei fazer, eu pensava “como será cortar o cordão umbilical de um bebê ligado na mãe?”, e eu pude fazer isto com meu próprio filho. Ficamos um pouco na banheira. Mariana tirou umas 3 fotos em seu celular, que guardaram para sempre o momento, ficaram lindas as fotos e sou muito grata por todo o cuidado e carinho dela por nós.
Só então eu saí da banheira,e meu corpo todo tremia. O médico ajudou a placenta sair, e fez 3 pontos, um inteiro e dois pequenos em cantos diferentes, foi uma laceração pequena para um bebê grande.
Lucas nasceu as 15:12 hrs de parto natural com 3700kg e 50kg, sem anestesia.

E só então meu esposo e minha mãe chegaram , e viram o bebê. E depois que contei como foi, chegamos a conclusão que foi melhor os dois não estarem ali, pois eles são meu refúgio visível neste mundo, e na hora da dor, que eu tanto precisava enfrentar, se eu tivesse eles no alcance dos meus olhos, talvez eu fosse fraquejar. Deus sabe todas as coisas. Só sei que assim que vi o Lucas, toda a dor havia se dissipado. Não havia mais nada, só a alegria, o prazer, a felicidade plena. Deus estava comigo, havia me ajudado mais uma vez. Que abençoada eu me senti, e na mesma hora deu uma vontade de ter outro filho e fazer tudo igual de novo. Eu comentei isto e sorri.

Foi incrível. Que Deus maravilhoso. Eu nunca imaginei que o parto seria na água, mas sempre achei lindos os partos na água. Nunca imaginei que eu mesma iria cortar o cordão, e sempre qui fazer isto (mesmo com medo de parto rsrs ).  Superou todas as minhas expectativas. Foi a experiência mais incrível de todas. Emocionante.

Dias após o parto eu fiquei revivendo o momento, relembrando. Eu não esqueci a dor e não quero esquecer. Eu não me sinto mais forte e nem mais mulher. Ao final do parto eu só pensava com gratidão por Deus ter me feito mulher, e  capaz de gerar e de parir, eu senti como se eu fosse um violino, usado por um músico talentoso, eu não tinha noção de que fosse capaz de tocar música tão bela, a melodia perfeita do nascimento.

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Observação: Se você é cristã. Fuja do vocabulário e da ideologia feminista que se apropriou da benção do parto para incutir no coração das mulheres um espírito de desobediência e rebeldia a Deus. Procure mulheres cristãs sábias e instruídas na palavra de Deus para lhe ajudar. A primeira coisa que você precisa saber é que cristãs não se empoderam, elas renunciam a si mesmas para a Glória de Deus.
No mais, oro para que este testemunho edifique e ajude outras mulheres a buscarem em Cristo a ajuda necessária para o nascimento de seus filhos.
Que ELE seja glorificado neste instante tão especial de suas vidas.

NOTA: AGRADEÇO de todo o coração toda a ajuda online que recebi das amigas queridas do Grupo Cristão de apoio ao parto e as amigas da página e grupo Auxílio do Parto. Todas cristãs muitos solícitas em ajudar e tirar as dúvidas, entre elas há doulas cristãs que estão sendo instrumentos nas mãos de Deus. Obrigada em especial a Doula Arielle e Mariana e a Obstetra Rossane

RECOMENDAÇÃO:
Encerro este relato agradecendo a queria Mariana - Doula Cristã que super recomendo. Assim que ela fizer instagram dela como Doula , eu coloco o link aqui.

Mariana foi um presente de Jesus para mim, eu a conheci perto do parto, e a vi umas 2vezes antes de meu filho nascer, apesar disto, tivemos uma ligação muito especial.
Meu parto foi uma experiência espiritual e muito se deu pela presença de Mariana, com seu jeito calmo e me ajudando a lembrar de Cristo enquanto sentia minhas dores. Ela me ajudou a entregar para Cristo as dores que eu estava sentindo, enquanto eu as sentia.
Ela me deu o amparo que eu precisava, o abraço quando necessário, o diálogo, o silêncio, foi meus olhos e voz durante o parto com as outras pessoas e permitindo que eu ficasse mais introspectiva e mergulhasse mais na experiência do parto.
Meu coração é eternamente grato, e oro para que Deus prospere o trabalho das mãos dela e que muitas outras mulheres sejam abençoadas.

Obrigada Mariana, você é uma flor preciosa para Deus, e estará sempre em minhas orações. <3 p="">

Uma foto publicada por DICAS HOMESCHOOLING (@glauciamizuki) em

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

RELATO DO MEU PARTO – A COMPREENSÃO DA DOR DE PARTO - PARTE I.


RELATO DO MEU PARTO – PARTE I – A COMPREENSÃO DA DOR DE PARTO.

Este é o meu testemunho. Um testemunho cristão sobre a dor do parto.

Durante a gravidez do Samuel, meu primogênito, eu me sentia comunicativa e aberta para falar sobre a gravidez, e criei um blog onde relatei todos os pormenores que para mim eram importantes na época, pensamentos, sintomas , tudo. Cheguei a flertar com o parto normal, mas a medida que a barriga crescia, e todos me pressionavam sobre o tamanho do Sam, e eu com meu pânico de dor, me sentindo fraca e incapaz de passar pelo parto, optei por uma cesárea eletiva. Infelizmente a médica não fez esforço algum para me incentivar a pelo menos esperar as dores do parto, ou seja, a esperar o Sam avisar que estava pronto para nascer. E foi assim que meu primeiro filho nasceu no dia que a médica escolheu, de acordo com a agenda dela e com 38 semanas e 3 dias.
Na época, foi uma cesárea rápida e tranqüila, eu tenho uma ótima cicatrização e elasticidade da pele, então voltou rápido o meu corpo ao normal e a cicatriz hoje é praticamente invisível. Não tive dores na recuperação, como ouço relatos por aí. A única dor que senti mesmo foi na cirurgia  para pegar a veia no braço , já a anestesia na coluna não senti nada. E por um momento quase apaguei totalmente, pois minha pressão baixou.  No entanto, mesmo na época que fiz a cirurgia eu não havia pesquisado nada sobre a cesárea. Eu tinha medo da cirurgia, sabia que era uma cirurgia de grande porte com muitos riscos, mas o medo de sentir qualquer tipo de dor era maior do que de fazer esta cirurgia.
E como cada experiência de nossa vida, nos ensina algo, e cada filho vem como instrumento de transformação , nos ensinando e nos moldando a sermos melhores filhos para Deus, eu , então, me senti totalmente diferente nesta segunda gravidez. Estive muito mais introspectiva e menos sociável. Busquei muito mais a presença de Deus para aprender, e não só para agradecer como na primeira gravidez. Eu queria entender o que Deus queria me ensinar com este segundo filho, e coloquei-me diante de Deus como serva e aprendiz, aguardando o que Ele havia preparado para mim.
A gravidez começou, e eu enjoei muito e isto me desanimou a fazer o pré-natal. Eu não tinha médica ainda, e pelo plano marquei qualquer uma que pudesse me atender. Minha intenção era apenas pegar o papel para fazer ultrassom e exames e ver se estava tudo bem. Ao mesmo tempo orava para Deus prover um médico que me levasse para o parto que Ele queria que eu fizesse. Fui desde o início orando neste sentido. Em minha oração , desta vez, eu não pedia o tipo de parto mas pedia para Deus me conduzir nos mínimos detalhes.
Em minhas orações eu colocava o meu medo da dor do parto, mas repetia as palavras de Jesus ao final dizendo “seja feita a Tua vontade e não a minha”, e pedia misericórdia para que eu obedecesse com alegria esta vontade. Eu não sei se eu tinha só medo do parto, porque minha mente era tomada pelo medo da dor, era um pânico que me fazia contorcer as pernas e comprimir os joelhos sempre que ouvia algo sobre o tema ou via algum vídeo. E quando alguém falava sobre parto normal eu sentia uma angústia no coração, um horror, uma repulsa profunda. Eu via a dor do parto como uma maldição destinada para Eva. Eu não era merecedora deste sofrimento, era o que no fundo eu estava querendo dizer para Deus. Eu tinha medo pavoroso da dor de parto. Achava injusta e tentava desviar o pensamento com frases sarcásticas, fugindo pelo humor de um tema que me assombrava. Eu não só temia a dor, eu odiava a dor do parto.
E lá estava eu, grávida novamente, e começando me angustiar. Sem médico e sem saber o que Deus queria. E se eu morresse no parto? E se eu não agüentasse a dor? E se o bebê sofresse algum trauma físico ou mental no parto e ficasse com alguma seqüela para o resto da vida? E a avalanche dos “e se” começaram a cobrir meu coração de tristeza, como uma nuvem negra que encobre um dia ensolarado, estar grávida começou a me deprimir. E eu me isolei um pouquinho mais. Eu ainda estava enjoando e me sentindo ingrata, e me sentindo velha demais para engravidar, e me sentindo com pavor da dor do parto e da cesárea, me sentindo sem alegria, sem novidade e isto durou uma semana. Para mim, não havia novidade, os hormônios me jogaram na lama e o medo da dor do parto só crescia em mim.
Quando fizemos o exame para descobrir o sexo do bebê, foi algo tão inesperado, e eu fiquei tão feliz em saber que seria outro menino que foi uma carga de animo. E assim soubemos que o Lucas estava crescendo em mim.
Voltei a procurar médico, sem êxito, e voltei a orar pelo parto. Nesta época, minha unha do pé encravou. E foi tão forte e tanta dor, que a médica receitou antibiótico para o dedo infeccionado. Lembro que uma madrugada eu bati esta unha inflamada e o coração parecia bater na ponta do pé, chorei tanto e orei para Deus justificando que seria impossível eu sentir a dor do parto se estava ali já morrendo com uma dor na ponta do pé. Eu me senti tão ridícula por chorar de dor, mas o pé latejava. Só com o gelo que o esposo trouxe, que eu consegui voltar a dormir. Recebi ajuda e dicas de amigas via whatsapp, e orações por todas as demais pequenas dores que apareceram durante a gestação e que não convém falar aqui.
E em todo o tempo, o fantasma da dor do parto crescia em mim, e se alimentava do meu medo a ponto de me tirar a alegria de estar grávida, e eu lutava contra isto em oração. Cada vez que sentia tristeza orava, se não tinha forças mandava uma mensagem para uma amiga pedindo oração.
Já com sete meses encontrei um médico voltado ao parto humanizado, o Dr. Fernando Pupin, aqui de Florianópolis, ele fez o parto de uma amiga querida anos atrás, e eu resolvi ligar para tentar consulta com ele. Consegui para a semana seguinte e convenci meu esposo para irmos lá para ver como seria. E fomos nós três. Ele nos atendeu super bem, falamos sobre a gravidez e sobre o parto, e meu esposo comentou que preferia a cesárea e eu expliquei os motivos dele (infelizmente uma prima dele havia perdido o filho no parto por negligência e violência médica, e isto marcou toda a família, uma tragédia mesmo).
 O Dr. Fernando trouxe tranquilidade e paz para o pré natal. Pediu todos os exames , fiz , e eu sempre perguntando sobre bebês grandes e parto normal, e ele me tranqüilizava dizendo que os bebês grandes nascem de parto natural sim. Para mim, já foi surpreendente que em uma simples conversa ele convenceu meu esposo de que a via de parto nós teríamos possibilidade de escolher, mas que ele pedia paciência para pelo menos aguardarmos o início do trabalho de parto. Pois aí o bebê estaria avisando que está pronto para nascer. Meu esposo achou isto justo, e concordou. Para mim já era uma pequena confirmação de que pelo menos as dores eu iria sentir desta vez.
Naquele dia eu vim para casa pensando nisto. Eu vou sentir as dores de parto. Não importa se vai ser cesárea ou vaginal, eu vou sentir as dores das contrações. Como será isto? E aí eu comecei a pesquisar.
O caminho que eu fiz foi primeiro orar. Fui na bíblia procurar o que encontrava sobre dor. Primeiro meditei em Gênesis, quando Deus fala para Eva sobre a dor do parto logo após eles pecarem. E então eu vi, algo que não tinha visto antes, que a dor não foi criada naquele momento, Deus , na verdade, a aumentou grandemente em razão do pecado, ou seja, já havia dor. O projeto inicial de Deus já considerava a dor, a dor fisiológica já fazia parte . Em uma simples leitura do versículo isto fica claro, pode espiar em qualquer versão bíblica, sempre houve a dor do parto. E que dor era esta? Eu queria saber.
Uma das coisas que eu temia , em relação a dor, era o bebê ser muito grande. Afinal, eu sou alta e meu esposo também, o bebê dificilmente seria pequeno, Sam já foi um bebê grande. E ao falar com uma amiga sobre o parto dela, que foi lindo e domiciliar, ela me disse para parar de falar sobre o tamanho do meu filho e eu na mesma hora parei.
Depois, fui na Internet pesquisar sobre anatomia feminina, sobre a dor fisiológica, a razão dela existir. O que acontece no corpo da mulher durante o trabalho de parto, quais as fases do parto, e isto me fez meditar que sentir dor faz parte da condição humana. Achei muitos vídeos em inglês, bem explicativos que me ajudaram a perceber que a vida requer dor. Esta vida mergulhada em analgesia é coisa moderna. E viver sem sentir nada, é não viver, não vale a pena.  
Neste processo, já faltava menos de dois meses para meu parto, e eu estava convencida de que sentiria esta dor e que ela fazia parte da maternidade. Neste momento, um muro se quebrou dentro de mim. Uma nuvem negra se dissipou de meu coração. Eu iria sentir dor, eu compreendia a dor. Ela não era mais um monstro sem rosto e desconhecido que me atormentava.
Entretanto, havia outra dor. No mesmo versículo de gênesis mostra que aquela dor seria aumentada grandemente. Comecei a perceber que minha reação a dor do parto, com sarcasmo e negação, era, na verdade, uma rebeldia contra a justiça de Deus. Como eu poderia achar injusto sofrer por algo que Deus decidiu? Deus , que é justo , perfeito e soberano.  Aquele grande acréscimo de dor, era a justiça de Deus que se cumpria.
A partir daí, eu entendi que havia duas dores. Uma dor do corpo e outra da alma, que somadas, nos levavam ao limite entre a vida e a morte. E que toda dor no parto faria parte da vontade de Deus se cumprindo em mim. E que não havia experiência física que pudesse se comparar a parir. A dor do parto me ligaria a Deus através de sua justiça se cumprindo em meu corpo e em minha alma. Através da compreensão desta dor, o entendimento desta bendita dor transformadora, eu comecei então a desejar em meu coração o parto natural. Eu comecei a orar a Deus, dizendo que esta era uma oportunidade de eu viver esta experiência,e eu queria viver. A medida que se aproximava o dia do parto e eu tinha mais e mais contrações de Braxton, eu comecei a orar pensando que eu não poderia viver, passar por esta vida, sem viver esta experiência. E então, comecei a orar pelo parto natural, para Deus conduzir todos os detalhes. Até aquele momento, ainda não tínhamos certeza se conseguiríamos o financiamento para o parto, o esposo ainda queria cesárea, e talvez minha mãe não estaria aqui se o bebê passasse de 40 semanas.
Enfim, eram tantas preocupações, que eu resolvi não me preocupar. Eu resolvi apenas orar e aguardar. Resolvi também me afastar de todos e  tudo que me trouxesse ansiedade. Busquei versículos diariamente para meditar sobre confiança em Deus e para manter na mente o que me trazia esperança e fé.
Eu resolvi me preparar emocionalmente para me entregar totalmente aos cuidados de Deus. Deixei para que meu esposo se preocupasse com a parte financeira, apenas continuei orando para Deus dar sabedoria para ele e  falei que até o dia do parto não queria saber nada a respeito. E quando minha mãe falou que não sabia quantos dias ia ficar e que não sabia quando poderia vir para me ajudar, eu falei que o bebê iria nascer apesar de todas as coisas, se eu conseguisse pagar a clínica ou não, se ela viesse ou não, se eu me preocupasse ou não.  E falei com paz no coração, era o que eu estava sentindo.
Desta forma, eu resolvi que não iria me preocupar. Cortei contado com várias pessoas, e pedi que me enviassem áudios com versículos bíblicos ao invés de problemas (riso) , e recebi áudios lindos que me ajudaram mais ainda a meditar na palavra de Deus. Eu não tive vergonha de mergulhar neste momento, de me entregar mente e corpo para viver esta experiência com Deus. Pedi orações e informações diretamente em grupos cristãos, e fugi de toda literatura ou debates com ideologias feministas sobre o parto.
Para mim, estava muito claro que o parto era um momento de renunciar a mim mesma, um momento de dar a vida por amor ao meu irmão (que será também meu filho), de me entregar em sacrifício. Eu não estava empoderada, mas na minha fraqueza sabia que Deus poderia me fazer forte. Eu não me sentia confiante e certa de que daria tudo certo, eu sabia que o que fosse acontecer, isto seria o certo e vontade de Deus.
Meditei na passagem bíblica do quarto homem na fornalha, e pensei que se Deus quisesse que meu parto fosse rápido ele seria, mas se ele quisesse que eu sofresse por mais horas, assim seria também para sua Glória. Eu não queria criar expectativas de um parto perfeito e entreguei meu plano de parto para Deus preencher.  E quando falo isto, não estou dizendo que me mantive ignorante aos detalhes do parto, pelo contrário, procurei saber o que seria o mais humanizado possível e orei para Deus , que se possível meu parto fosse assim, mas sempre repetindo no final , que a vontade Dele fosse feita, e não a minha. Eu não queria me sentir no controle de nada, eu queria me esvaziar de mim mesma para que o poder dele fluísse em mim. Que diminuísse eu, e Ele me guiasse.
O que mais me preocupava era o momento em que dor seria  grandemente aumentada, e eu orava a Deus que tivesse misericórdia de mim, e me ajudasse, e que Jesus passasse comigo este momento, pois com Ele eu poderia conseguir, sozinha eu não iria de jeito nenhum. Eu sabia que estava me jogando nesta experiência assim como Pedro que se lançou para caminhar no mar, e eu sabia que em algum momento durante o parto eu iria olhar para a situação e começar a afundar. E por este momento, eu também orava. Eu orava pedindo a Deus misericórdia e força para passar pelo momento de fraqueza quando a dor fosse maior.
Eu estava totalmente submissa a vontade de Deus. E orava para que ninguém, nem médico e nem hospital e nem minha família , nem meu esposo e nem eu mesma atrapalhassem a plena vontade de Deus para este parto. Minha fé, naqueles dias antes do parto, posso dizer que foi como nunca foi em nenhum outro momento de minha vida. Deus derramou sobre mim uma paz e tranquilidade, e as pessoas falavam em ansiedade e eu as exortava em amor para falar com sabedoria e orar comigo , pois eu estava me preparando espiritualmente para viver algo grandioso demais para mim.

E com esta compreensão e aceitação da dor do parto, sem ansiedades, no dia 12 de dezembro as 8:00hrs da manhã eu acordei com um jato de leite saindo de meu peito direito, e assim começou meu trabalho de parto.... (parte 2 - O PARTO

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